Em termos gerais, configura-se como estupro (contra a mulher), na maior parte do Ocidente moderno, a atitude do homem de forçar a mulher – qualquer uma, até mesmo a esposa – a ter relações sexuais. É claro que isso tem grau. Pois “forçar”, neste caso, pode envolver violência física de diversas maneiras. Das aparentemente pouco visíveis até às bárbaras.
Mas o estupro requer atenção de quem escuta e vê notícias sobre ele. Não é algo fácil de ser avaliado, julgado e entendido. Horror ou descaso não ajudam o olhar e fazem muitos agir de maneira pouco inteligente ao lerem notícias sobre o assunto.
O estupro está no imaginário do Ocidente há muito tempo, mas não só como o que seria completamente avesso ao desejo da mulher. A tentativa de correr para pegar a mulher precisa ser vista historicamente. Nem sempre “pegar a mulher com violência” significa estuprar mas, antes, significa o rapto. Neste caso, o rapto de povos sem mulheres que atacam outros para pegar suas mulheres (o quadro de Sabine, acima). Isso também inclui o rapto individual, no sentido antigo da palavra, o rápto para fazer da mulher alheia sua mulher, para fins não só de sexo como prazer, mas de procriação.
O “pegar a mulher” também guarda semelhança com brincadeiras infantis e, não raro, crianças e pré-adolescentes sentem medo e prazer ao mesmo tempo com tais atividades. Não à toa, portanto, vídeos e fotos de estupros atraem homens e mulheres. A fantasia do estupro não é necessariamente horrorosa como é a realidade do estupro, e isso muitas pessoas. Ao contrário, a fantasia é fantasia mesmo – o que se faz para se motivar ao sexo, para “dar adrenalina”, o que mistura a aventura com a força, a gana. E essa fantasia não é algo só do homem. Muitas mulheres ficam extremamente excitadas pensando nisso. Algumas, inclusive, dão chance para isso. Pode-se dizer, “uma chance inconsciente”. Chance para o azar.
Essa “chance para o azar” existe. Alguns bons advogados se aproveitam de que, de alguma forma, sabemos que isso é verdade, ou pode ser. Então, pode-se induzir um juri a culpar a mulher pelo estupro sofrido. Essa é uma situação a ser bem notada e analisada.
Uma outra coisa que merece também o mesmo cuidado de leitura do fato, é quanto as relações entre a fantasia e a realidade, no que concerne à divulgação da pornografia. Não há relação direta entre a divulgação da pornografia e os crimes sexuais. Se há, é uma relação em sentido contrário ao que se pensa. Em uma sociedade sem pornografia visível, sem que homens e mulheres estejam acostumados a ver todo tipo de sexo, as chances da violência são maiores. As chances da violência aumentam quando se cria uma barreira entre homens e mulheres, entre a cultura feminina e a masculina. Quando essas culturas são integradas desde a infância, e até mesmo a pornografia faz parte do campo de visibilidade e comentários comuns, a violência é menor. O ver não incentiva a violência, a proibição do ver, sim. Sociedade fechadas, censuradas do ponto de vista sexual, são sociedades muito mais violentas contra as mulheres.
Menina Virgem
PS: para que o assunto não fique pesado: Anão acusado de estupro.



Compre!