Os médicos são pessoas que vestem branco e sabem algumas coisinhas sobre doenças. Só isso. Todavia, há uma idéia geral de que sexo é algo que, não podendo mais ser tratado com padre, deve ser levado para o consultório do “doutor”. Isso é um erro grave, mesmo quando este é “terapeuta sexual”.
Quem sabe sobre sexo é o praticante do sexo que, cultivando a sabedoria da reflexão sobre si mesmo e sobre sua experiência de vida, ao longo dos anos percebe que talvez – talvez! – possa começar a sugerir alguma coisa.
Quando quero saber mais sobre sexo, além da minha própria reflexão e vida prática, consulto filósofos, especialmente os mais velhos, em particular os que realmente mostram ter uma vida sábia. Especialistas? Jamais.
Sexo é matéria de estudo. É necessário conhecer estatísticas seguras e culturas diferentes. É necessário cultura geral para compreender os mecanismos culturais que jogam pesado contra e a favor de cada um, no desempenho sexual. Todavia, antes de tudo isso, é necessário prática. A experiência da prática pessoal, e não só de outros, é fundamental. Isso cria um problema: médicos não podem dizer que são experientes. Ninguém pode dizer. Todos precisam dizer que são castos. E se alguém diz que é casto, mesmo que não seja, não serve para falar sobre sexo. Pois, desde o início, já está tão preocupado consigo mesmo, com o que se vai pensar dele, que então mostra uma imaturidade que, enfim, não o qualifica como alguém que possa falar de sexo com pertinência.
O sexo tem um drama nele próprio. Todos que querem tirar preconceitos de outros, começam a dizer que “sexo é natural” e que “é saudável”. Ora, isso serve para quê? Para os que tem problemas de desempenho ou de relacionamento, porque acham sexo algo tão sujo que não podem fazer, esse papo não resolve nada. E para os que tem problemas, mas não acham que sexo é sujo, esse papo só piora – pois, de fato, o sexo bem feito ou é um sexo que desperta nosso lado animal ou não é nada.
Homens e mulheres precisam começar a gozar. Todavia, para quem isso não ocorre, a vida não é fácil. Mas, uma coisa eu falo: não procurem médicos ou “terapeutas sexuais”. Antes disso, tentem ampliar seu próprio grau de percepção de si mesmo. E cultura geral sempre ajuda. Uma leitura de Freud não é desprezível, neste caso. Mas, para tal, mantenha sua cabeça aberta. Saiba que você mesmo tem capacidade grande de se boicotar, para não entender o que está escrito e para não ouvir os mais experientes.
Outro detalhe: evite sexo com pessoas da mesma idade ou próximas. O melhor sexo é aquele em que um dos parceiros é mais velho, mais experiente e comprovadamente bom no que faz – não importa se homem ou mulher. Alguém, no sexo, precisa saber mais, precisa conduzir. A relação sexual não é simétrica. E no começo, nem recíproca. Ela se torna recíproca, mas nunca simétrica. Alguém comanda, outro é comandado. As trocas no sexo não são iguais, se forem, o sexo é um lixo.
Sexo tem a ver com a libido, com a energia libidinal. Precisa de “gana”, ou seja, de desejo que motiva para “a pegada”. Muitas vezes, falta de força, falta de energia, falta de agilidade, falta de capacidade de controlar os órgãos sexuais prejudicam mesmo a relação. Isso, de melhorar, vem com a idade. (claro, para os que não bebem e não fumam). E juntamente com isso, deve vir o despudor. Só que o despudor não pode significar banalização, pois se o corpo do outro e o seu próprio se apresentam pelados de qualquer maneira, sem que isso provoque desejo, o sexo aí, já acabou ou então irá acabar. Sexo é algo que se constrói. Por isso, o mito da “trepada casual” é realmente um mito. As pessoas melhoram com parceiros fixos, ao contrário do que a fantasia de muitas mulheres e homens parece indicar.